sábado, agosto 13, 2005

caminho de infância..


...quando supostamente queremos crescer








(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)

Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe...

O Menino Grande (excerto), Sebastião da Gama em Itinerário Paralelo, 1952

recortes de uma colónia


mãozinhas pequeninas que nos tocam terapeuticamente
e do toque da pele chegam ao coração da alma
suavizamos
pela contemplação com as crianças
das pequenas coisas
simples
como as conchas do mar

olhar o mundo com os olhos grandes
olhar a vida com a esperança de quem está no início
e confiar em quem nos guarda
longe dos pesadelos
quem nos dá um colo

chorar e rir porque a fala é tão complicada
conhecer vendo e estando porque falar complica sempre
esperar as surpresas
crescer nas correcções
birras amuos
personalidades já tão vincadas
e partindo das carências tantos tantos tesouros

imaginar a maternidade..

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A Flor

- Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens. Et après, si ce que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis plus responsable; c'est que je ne peux vraiment pas faire mieux. Henri Matisse

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutra; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essa linhas às pessoas: uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro, 1921

terça-feira, agosto 02, 2005

uma história do mar


a bruxa sozinha pensou no mar
e longe longe foi passear
chegou cedo a esse lugar
e ficou sossegada
talvez a descansar

na altura certa da falta de ar
levantou-se rápido a caminhar
quem diria o qu'ia encontrar
uma pedra rachada
com jeitos de brincar

surpresa! ela nem quis olhar
passou entre pessoas a passar
e a criança finge não notar
essa grande fachada
do querer (não) encontrar

a pedra ficou, olhava o mar
estava com outras talvez a gozar
a bruxa chegou e foi nadar
uma grande braçada
para não desesperar

voltava às vezes a esperar
que a pedra a (não) fosse procurar
o tempo passou e ela olhar
quebrou-se o nada
do real a regressar

meninos e meninas, não vão acreditar
mas as pedras são mestras no fazer lembrar
têm dentro os segredos
do tempo das bruxas
têm dentro os segredos
do fundo do mar

(mesmo que depois venham a apagar...)

quinta-feira, abril 28, 2005

AABA

hoje acordei com pássaros
a cantar perto da minha janela
- quando estava em sonhos cor-de-rosa -
felizes.

o problema são os gatos
a minha gata gosta de caçar
- é estranho acordar dos sonhos felizes -
e também das festas.

mas não vi a gata
devia estar a dormir
- às vezes gosto mais da realidade -
à porta.

não fui abri-la
não mexi nas fitas barulhentas
- da realidade que traz consigo esperança -
do reflexo de Pavlov.

terça-feira, abril 26, 2005

um café cheio, sff

(nas costas de um inquérito sobre qualidade..)

Parece que às vezes é complicado
entre o estar e o não estar
entre o toque e a ausência
estar naquele ponto
tempo e espaço
e não tempo e não espaço
estar naquele suposto ponto do suposto equilibrio
ou da suposta paz.

Mas a paz é passageira,
esta pelo menos,
quando ainda não estou
completamente
totalmente
assente
com os pés no essencial.
Sem o eixo
sem a referência
(terão de ser duas, senão baloiça e baloiça
um lindo baloiço com duas crianças
ao menos não são dois adultos
seria ridículo!)
sem os dois referenciados
ao mesmo nível
da suposta estabilidade contínua.

Sem o eixo
central, que une dois pontos
sem o eixo essencial
ainda é difícil aquela paz que joga para sempre.

O mundo rasga-se
- sou só eu afinal, mania a minha -
que o véu se rompa
- que assim o seja sempre -
mas ainda não é tempo de paz
daquela deixada por quem não nos deixou
(não me deixaste à espera naquele tempo e espaço?
agora larga-me!
...ou prende-me
mas rápido e sem lugar!)

Chegaremos a esse dia
em que marcamos nas nossas vidas
o sabor (gosto e olfacto)
o sabor do sal
o sabor do "até que.."
até que um dia sejamos entregues nas mãos de quem não nos prende.

até esse dia
forço-me a esperar.

domingo, abril 24, 2005

Actualizar

ponto de situação?

- Habemus Papam e estou confiante: Bento XVI (eu não conhecia assim tanto sobre o Ratzinger, ele era para mim como o alemão de ferro que garantia a segurança do tesouro da fé) está a aparecer na minha vida como um homem de grande profundidade

- perceber as minhas contradições: quanto mais confiante mais tentada a fugir

- perceber os desafios: mergulhar na Misericórdia, mergulhar no Amor

- perceber os compromissos: reavivar o amor que se coloca nas pequenas coisas que se fazem

... (re)caminhar

O objectivo do meu pontificado não é cumprir a minha vontade, não é impor as minhas ideias, mas ouvir, em conjunto com toda a Igreja, o mundo e a vontade do Senhor

sábado, abril 02, 2005

Papa



Pai e Pastor da Igreja

A palavra Papa deriva da sigla latina retirada da designação Petri Apostoli Potestatem Accipiens (o que recebe o poder de Pedro) e da união das primeiras sílabas das palavras latinas “Pater” e “Pastor” (Pai e Pastor).

De acordo com o magistério da Igreja Católica, o Papa, como bispo de Roma, está na linha sucessória do apóstolo Pedro, de quem herda a missão de ser o vigário de Cristo na Terra e o primado da autoridade entre todos os bispos.

As designações do Sumo Pontífice, como Pai e Pastor, surgem no seio da Igreja como expressões da sua função protectora dos fiéis, por quem deve velar com atenção paternal, e pelo facto de biblicamente Pedro ter recebido o encargo de cuidar do rebanho da Igreja – forma tradicional de designar a comunidade dos fiéis.
(...)

in Público