quinta-feira, abril 28, 2005

AABA

hoje acordei com pássaros
a cantar perto da minha janela
- quando estava em sonhos cor-de-rosa -
felizes.

o problema são os gatos
a minha gata gosta de caçar
- é estranho acordar dos sonhos felizes -
e também das festas.

mas não vi a gata
devia estar a dormir
- às vezes gosto mais da realidade -
à porta.

não fui abri-la
não mexi nas fitas barulhentas
- da realidade que traz consigo esperança -
do reflexo de Pavlov.

terça-feira, abril 26, 2005

um café cheio, sff

(nas costas de um inquérito sobre qualidade..)

Parece que às vezes é complicado
entre o estar e o não estar
entre o toque e a ausência
estar naquele ponto
tempo e espaço
e não tempo e não espaço
estar naquele suposto ponto do suposto equilibrio
ou da suposta paz.

Mas a paz é passageira,
esta pelo menos,
quando ainda não estou
completamente
totalmente
assente
com os pés no essencial.
Sem o eixo
sem a referência
(terão de ser duas, senão baloiça e baloiça
um lindo baloiço com duas crianças
ao menos não são dois adultos
seria ridículo!)
sem os dois referenciados
ao mesmo nível
da suposta estabilidade contínua.

Sem o eixo
central, que une dois pontos
sem o eixo essencial
ainda é difícil aquela paz que joga para sempre.

O mundo rasga-se
- sou só eu afinal, mania a minha -
que o véu se rompa
- que assim o seja sempre -
mas ainda não é tempo de paz
daquela deixada por quem não nos deixou
(não me deixaste à espera naquele tempo e espaço?
agora larga-me!
...ou prende-me
mas rápido e sem lugar!)

Chegaremos a esse dia
em que marcamos nas nossas vidas
o sabor (gosto e olfacto)
o sabor do sal
o sabor do "até que.."
até que um dia sejamos entregues nas mãos de quem não nos prende.

até esse dia
forço-me a esperar.

domingo, abril 24, 2005

Actualizar

ponto de situação?

- Habemus Papam e estou confiante: Bento XVI (eu não conhecia assim tanto sobre o Ratzinger, ele era para mim como o alemão de ferro que garantia a segurança do tesouro da fé) está a aparecer na minha vida como um homem de grande profundidade

- perceber as minhas contradições: quanto mais confiante mais tentada a fugir

- perceber os desafios: mergulhar na Misericórdia, mergulhar no Amor

- perceber os compromissos: reavivar o amor que se coloca nas pequenas coisas que se fazem

... (re)caminhar

O objectivo do meu pontificado não é cumprir a minha vontade, não é impor as minhas ideias, mas ouvir, em conjunto com toda a Igreja, o mundo e a vontade do Senhor

sábado, abril 02, 2005

Papa



Pai e Pastor da Igreja

A palavra Papa deriva da sigla latina retirada da designação Petri Apostoli Potestatem Accipiens (o que recebe o poder de Pedro) e da união das primeiras sílabas das palavras latinas “Pater” e “Pastor” (Pai e Pastor).

De acordo com o magistério da Igreja Católica, o Papa, como bispo de Roma, está na linha sucessória do apóstolo Pedro, de quem herda a missão de ser o vigário de Cristo na Terra e o primado da autoridade entre todos os bispos.

As designações do Sumo Pontífice, como Pai e Pastor, surgem no seio da Igreja como expressões da sua função protectora dos fiéis, por quem deve velar com atenção paternal, e pelo facto de biblicamente Pedro ter recebido o encargo de cuidar do rebanho da Igreja – forma tradicional de designar a comunidade dos fiéis.
(...)

in Público

domingo, março 27, 2005

segunda-feira, março 14, 2005

5º Domingo

S. João de Damasco (cerca 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja
Matinas do sábado de Lázaro

Porque eras Deus verdadeiro, tu conhecias, Senhor, o sono de Lázaro e preveniste os teus discípulos...
Mas na tua carne, Tu, que no entanto não tens limites, vens até Betânia.

Chorando sobre o teu amigo, na tua compaixão puseste fim às lágrimas de Marta;
pela tua Paixão voluntária, secaste todas as lágrimas do rosto do teu povo (Is 25,8).

"Bendito sejas, Deus de nossos Pais!" (Esd 7,27).

Quanto a mim, estrangulado pelas amarras dos meus pecados, ergue-me também e eu cantarei:
"Bendito sejas, Deus dos nossos Pais!"...

Como mortal, invocas o Pai;
como Deus, despertas Lázaro.
Tu andas, falas, choras, meu Salvador, mostrando a tua natureza humana;
mas, ao despertares Lázaro, revelas a tua natureza divina.

De uma maneira indizível, Senhor, meu Salvador, de acordo com as tuas duas naturezas e de uma forma soberana, realizaste a minha salvação.

domingo, março 06, 2005

4º Domingo

Santo Ireneu de Lyon (cerca de 130 - cerca de 208), bispo, teólogo e mártir
Contra as Heresias

Quando se tratou do cego de nascença, não foi só por uma palavra mas por uma acção que o Senhor lhe concedeu a vista. Não agiu assim sem razão nem por acaso, mas para que conhecêssemos a Mão de Deus que, no princípio tinha modelado o homem. Por isso, quando os discípulos lhe perguntaram de quem era a culpa deste homem ser cego, dele mesmo ou dos seus pais, o Senhor declarou: "Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus". Estas "obras de Deus" são, primeiro que tudo, a criação do homem que a Escritura bem descreve como uma acção: "E Deus tomou um pouco de argila e modelou o homem" (Gn 2,7). Foi por isso que o Senhor cuspiu no chão, fez lama e ungiu os olhos do cego. Mostrava assim de que modo se tinha realizado a moldagem inicial e, para aqueles que eram capazes de compreender, manifestava a Mão de Deus que tinha esculpido o homem a partir da argila...

E porque, nesta carne modelada em Adão, o homem tinha caído na transgressão e precisava do banho do novo nascimento (Tt 3,5), o Senhor disse ao cego, após ter-lhe untado os olhos com a lama: "Vai lavar-te à piscina de Siloé".
Concedia-lhe assim ao mesmo tempo a remodelagem e a regeneração operada pelo banho. Desta forma, depois de se ter lavado, "ele regressou, vendo bem", a fim de reconhecer aquele que o tinha remodelado e aprender ao mesmo tempo quem era o Senhor que lhe tinha dado a vida...

Assim, aquele que, no princípio, tinha modelado Adão e a quem o Pai tinha dito: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gn 1,26), esse mesmo se manifestou aos homens no fim dos tempos e remodelou os olhos deste descendente de Adão.