sábado, abril 14, 2007

misericórdia divina

A misericórdia é a expressão viva do amor de Deus para com os homens pe­cadores, que o levou a enviar seu Filho único para lhes obter em justiça o per­dão de suas faltas e os reconduzir à con­dição sobrenatural de seus filhos. (...)
No NT, a misericórdia divina manifestou-se plenamente em Jesus Cristo por sentimentos (compaixão das multidões, das mulhe­res de Jerusalém…), palavras (ensinamentos e parábolas da misericórdia, do Filho pródigo, do bom Samaritano…), gestos (acolhimento de pecadores, multiplicação de pães e outros milagres...) e sobretudo pelo seu sacrifício pascal.
Como diz João Paulo II na sua Encíclica Dives in misericordia (2), Jesus Cristo, não só ilus­trou a misericórdia divina por imagens e parábolas, mas Ele mesmo “a encarnou e per­so­nalizou, tornando-se, em certo sentido, a misericórdia”.
cf. "misericórdia divina", in http://www.ecclesia.pt/catolicopedia/ © Paulinas

Daqui em Diante


... não posso dizer que tenha sido diferente porque os gestos e emoções - amores apressados, paixões trocadas rapidamente, homens cobertos de terra de vergonha, mulheres objecto (cabelo atado, sem liberdade de movimento) - já estavam no "amor ao canto do bar vestido de negro"...
Enough still not to know. Not to know what they say. Not to know what it is the words it says say. Says? Secretes. Say better worse secretes. What it is the words it secretes away. What the so-said void. The so-said dim. The so-said shades. The so-said seat and germ of all. Enough to know no knowing. No knowing what it is the words it secretes away. No saying. No saying what it is they somehow say.
in Worstward Ho


... mas desta vez houve segredos expostos publicamente, mulheres colocadas em pedestal que se atiravam aos braços de homens que as colocavam novamente em pedestal, primeira vez triste, segunda vez séria, terceira, quarta, n vezes a entrar no jogo de não pensar no pedestal a que se retoma sempre (ou não)....
The eyes. Time to try worsen. Somehow try worsen. Unclench. Say staring open. All white and pupil. Dim white. White? No. All pupil. Dim black holes. Unwavering gaping. Be they so said. With worsening words. From now so. Better than nothing so bettered for the worse.
in Worstward Ho

... desta vez houve olhares que não se desligavam....

Can't Take My Eyes Off You Lyrics » Frankie Valli
You're just too good to be true.Can't take my eyes off you.You'd be like Heaven to touch.I wanna hold you so much.At long last love has arrivedAnd I thank God I'm alive.You're just too good to be true.Can't take my eyes off you.Pardon the way that I stare.There's nothing else to compare.The sight of you leaves me weak.There are no words left to speak,But if you feel like I feel,Please let me know that it's real.You're just too good to be true.Can't take my eyes off you.I love you, baby,And if it's quite alright,I need you, baby,To warm a lonely night.I love you, baby.Trust in me when I say:Oh, pretty baby,Don't bring me down, I pray.Oh, pretty baby, now that I found you, stayAnd let me love you, baby.Let me love you.You're just too good to be true.Can't take my eyes off you.You'd be like Heaven to touch.I wanna hold you so much.At long last love has arrivedAnd I thank God I'm alive.You're just too good to be true.Can't take my eyes off you.I love you, baby,And if it's quite alright,I need you, baby,To warm a lonely night.I love you, baby.Trust in me when I say:Oh, pretty baby,Don't bring me down, I pray.Oh, pretty baby, now that I found you, stay..

...sim, desta vez....
Primeira produção de 2006 da Companhia Olga Roriz, com concepção e coreografia da própria Olga Roriz. «"Daqui em Diante" teve como fonte inspiradora a belíssima ficção Worstward Ho de Samuel Beckett que este ano comemora os 100 anos do seu nascimento. Do estudo dessa obra ficou-nos a procura de um lugar, de um espaço para estar, para dizer, se dizer. Momentos privados agarrados ao tempo. Partilhas individuais marcadas pela solidão e o vazio. Um humor subtil, a tristeza, a ternura e a cruel beleza da realidade será o traço de união nesse espaço colectivo onde se reescrevem as lembranças.» Olga Roriz

Daqui em Diante, Olga Roriz
a partir de Worstward Ho, de Beckett
... não era de estranhar a (des)coesão da união de dois disruptores. :)
(só faltou uma música de Philip Glass para completar o cenário)

quinta-feira, abril 12, 2007

Porque a política?

entre o excessivo interesse sobre a licenciatura socrática (que me lembra que é melhor ir inscrever-me na Ordem Farmacêuticos - para ter um cartão a dizer que não exerço... e menos 25 eur (?) no fim do mês - não vão um dia dizer que escrevo "farmacêutica" em vez de "licenciada em ciências farmacêuticas")
entre o folhetim de quase caça às bruxas Watergate Tuga...

é promulgada a lei
sem alarido
(vinha do porto num carro conduzido por uma grávida com uma barriga linda, quando oiço a notícia na rádio)

Se o PR fosse quem devia ser, teria sido mais firme no exercício do seu poder.
(obrigada pelo texto sereno e certo que leio aqui)
Se o PSD fosse o que dizem que devia ser, ter-se-ia afirmado pelo não.
Se o PS fosse o que deseja ser, não se teria afirmado.

no meio disto tudo, o cor-de-rosa convida-me...
eu, que sempre gostei de rosas vermelhas paixão.

será que ser católico permite ser transversal na política?

terça-feira, abril 10, 2007

madalena interseccionada



hoje acorda-me o sol ainda não nascente na janela portuense
recorta em fundo frio-quente as torres e oiço gaivotas
despertar branco, claridade em mancha bate na parede
seca de calor excessivo e olhos surpresos por estarem
ali

olho a janela vazia da penumbra intoxicada de esperanças
à espera do fim da noite tristemente à espera
movo-me automaticamente em repulsa de tudo
vejo o cristal sombrio e desdenho o meu reflexo


saio à foz, por ruelas desligadas ao ver o rio e o mar e o sol
sorrio aos que me perguntam, respirar forçado
esqueço-me nas palavras que digo a quem está
perto empurro a atenção para fora de mim

mas hoje regresso na chuva depois da palavra que fala de ti
aceito escândalos, compreendo refracções
de luz e nuvens feitas bem por quem as fez
decido, assumo afectos pelo caminho e vou
por ali

se não aceitar não te deter
deixarei eu o túmulo vazio?

segunda-feira, abril 09, 2007

Páscoa

Rembrandt, 1655
Rotterdam, Museum Boymanns-van Beuningen

quinta-feira, abril 05, 2007

missa crismal

(fotos em http://www.catholicpressphoto.com/servizi/2006-04-13-messa-crisma/default.htm)


Primeiro o óleo da unção dos enfermos
que me fortalece na piedade (na filiação a Deus Pai)
Depois o óleo dos catecúmenos
que me reveste de Cristo
Depois o mais elaborado, aromático, o mais delicado
o óleo de crisma
que me confirma no Espírito Santo


O Espírito é a unidade que Deus dá a Si mesmo, na qual Ele Se dá a Si mesmo, na qual o Pai e o Filho Se dão a Si mesmos um ao outro
(...) O dom de Deus é o amor. Deus comunica-se no Espírito Santo, como amor.
(...) critério fundamental do amor, por assim dizer seu opus proprium e, portanto, o opus proprium do Espírito Santo, é que Ele realize um permanecer. O amor demonstra-se na constância.
(...)
Só um poder e um amor maior que todas as nossas próprias iniciativas podem edificar uma comunhão fecunda e segura, e dar-lhe a dinâmica da missão fecunda. A unidade da Igreja que é fundada sobre o amor do único Senhor, não destrói o que é próprio de cada comunidade singular, mas constrói-a e mantém-na, como verdadeira comunhão com o Senhor e umas com as outras. O amor de Cristo, que está presente, para todos os tempos, no sacramento do Seu Corpo, desperta o nosso amor, salva o nosso amor: a Eucaristia é o fundamento, tanto da comunhão, como da missão, dia a dia.

in Ratzinger J, Caminhar Juntos na Fé


E no fim da missa crismal, perceber o coração rebentar de beleza (esta sensibilidade feminina... tramada!) com a procissão de saída... mesmo ao início, ver o olhar dos seminaristas que seguravam as velas (será que estou a segurar bem), ver, levada por um seminarista de cabeça baixa.. a cruz levantada ao alto.


... e quase chorar com a percepção da beleza do céu levada atabalhoadamente na terra.


Santa Páscoa!

domingo, abril 01, 2007

Ramos

The agony in the garden (Christ in the Garden of Olives)
Gauguin P., 1889

Oil on Canvas, 92.0cm x 73.0cm
Norton Gallery of Art , Florida USA

Ontem escapei até ao cinema, filme "The prestige", sobre ambição e obsessão, com uma luta entre mágicos de pano de fundo. Um diálogo:

Alfred Borden: You went half way around the world..you spent a fortune.. you did terrible things...really terrible things Robert, and all for nothing.
Robert Angier: For nothing?
Alfred Borden: Yeah
Robert Angier: You never understood, why we did this. The audience knows the truth: the world is simple. It's miserable, solid all the way through. But if you could fool them, even for a second, then you can make them wonder, and then you.. then you got to see something really special.. you really don't know?..it was..it was the look on their faces..

hoje Alguém
- compreendeu as nossas misérias e ofereceu-nos Misericórdia
- passou pela tentação dos nossos pedidos de magia e espectáculo (mentiras para nos distrairmos um segundo) mas, forte no amor do Pai, mostrou-nos a Verdade!