hoje acordei com pássaros
a cantar perto da minha janela
- quando estava em sonhos cor-de-rosa -
felizes.
o problema são os gatos
a minha gata gosta de caçar
- é estranho acordar dos sonhos felizes -
e também das festas.
mas não vi a gata
devia estar a dormir
- às vezes gosto mais da realidade -
à porta.
não fui abri-la
não mexi nas fitas barulhentas
- da realidade que traz consigo esperança -
do reflexo de Pavlov.
quinta-feira, abril 28, 2005
terça-feira, abril 26, 2005
um café cheio, sff
(nas costas de um inquérito sobre qualidade..)
Parece que às vezes é complicado
entre o estar e o não estar
entre o toque e a ausência
estar naquele ponto
tempo e espaço
e não tempo e não espaço
estar naquele suposto ponto do suposto equilibrio
ou da suposta paz.
Mas a paz é passageira,
esta pelo menos,
quando ainda não estou
completamente
totalmente
assente
com os pés no essencial.
Sem o eixo
sem a referência
(terão de ser duas, senão baloiça e baloiça
um lindo baloiço com duas crianças
ao menos não são dois adultos
seria ridículo!)
sem os dois referenciados
ao mesmo nível
da suposta estabilidade contínua.
Sem o eixo
central, que une dois pontos
sem o eixo essencial
ainda é difícil aquela paz que joga para sempre.
O mundo rasga-se
- sou só eu afinal, mania a minha -
que o véu se rompa
- que assim o seja sempre -
mas ainda não é tempo de paz
daquela deixada por quem não nos deixou
(não me deixaste à espera naquele tempo e espaço?
agora larga-me!
...ou prende-me
mas rápido e sem lugar!)
Chegaremos a esse dia
em que marcamos nas nossas vidas
o sabor (gosto e olfacto)
o sabor do sal
o sabor do "até que.."
até que um dia sejamos entregues nas mãos de quem não nos prende.
até esse dia
forço-me a esperar.
Parece que às vezes é complicado
entre o estar e o não estar
entre o toque e a ausência
estar naquele ponto
tempo e espaço
e não tempo e não espaço
estar naquele suposto ponto do suposto equilibrio
ou da suposta paz.
Mas a paz é passageira,
esta pelo menos,
quando ainda não estou
completamente
totalmente
assente
com os pés no essencial.
Sem o eixo
sem a referência
(terão de ser duas, senão baloiça e baloiça
um lindo baloiço com duas crianças
ao menos não são dois adultos
seria ridículo!)
sem os dois referenciados
ao mesmo nível
da suposta estabilidade contínua.
Sem o eixo
central, que une dois pontos
sem o eixo essencial
ainda é difícil aquela paz que joga para sempre.
O mundo rasga-se
- sou só eu afinal, mania a minha -
que o véu se rompa
- que assim o seja sempre -
mas ainda não é tempo de paz
daquela deixada por quem não nos deixou
(não me deixaste à espera naquele tempo e espaço?
agora larga-me!
...ou prende-me
mas rápido e sem lugar!)
Chegaremos a esse dia
em que marcamos nas nossas vidas
o sabor (gosto e olfacto)
o sabor do sal
o sabor do "até que.."
até que um dia sejamos entregues nas mãos de quem não nos prende.
até esse dia
forço-me a esperar.
domingo, abril 24, 2005
Actualizar
ponto de situação?
- Habemus Papam e estou confiante: Bento XVI (eu não conhecia assim tanto sobre o Ratzinger, ele era para mim como o alemão de ferro que garantia a segurança do tesouro da fé) está a aparecer na minha vida como um homem de grande profundidade
- perceber as minhas contradições: quanto mais confiante mais tentada a fugir
- perceber os desafios: mergulhar na Misericórdia, mergulhar no Amor
- perceber os compromissos: reavivar o amor que se coloca nas pequenas coisas que se fazem
... (re)caminhar
- Habemus Papam e estou confiante: Bento XVI (eu não conhecia assim tanto sobre o Ratzinger, ele era para mim como o alemão de ferro que garantia a segurança do tesouro da fé) está a aparecer na minha vida como um homem de grande profundidade
- perceber as minhas contradições: quanto mais confiante mais tentada a fugir
- perceber os desafios: mergulhar na Misericórdia, mergulhar no Amor
- perceber os compromissos: reavivar o amor que se coloca nas pequenas coisas que se fazem
... (re)caminhar
O objectivo do meu pontificado não é cumprir a minha vontade, não é impor as minhas ideias, mas ouvir, em conjunto com toda a Igreja, o mundo e a vontade do Senhor
sábado, abril 02, 2005
Papa
Pai e Pastor da Igreja
A palavra Papa deriva da sigla latina retirada da designação Petri Apostoli Potestatem Accipiens (o que recebe o poder de Pedro) e da união das primeiras sílabas das palavras latinas “Pater” e “Pastor” (Pai e Pastor).
De acordo com o magistério da Igreja Católica, o Papa, como bispo de Roma, está na linha sucessória do apóstolo Pedro, de quem herda a missão de ser o vigário de Cristo na Terra e o primado da autoridade entre todos os bispos.
As designações do Sumo Pontífice, como Pai e Pastor, surgem no seio da Igreja como expressões da sua função protectora dos fiéis, por quem deve velar com atenção paternal, e pelo facto de biblicamente Pedro ter recebido o encargo de cuidar do rebanho da Igreja – forma tradicional de designar a comunidade dos fiéis.
(...)
in Público
domingo, março 27, 2005
segunda-feira, março 21, 2005
Três
I. José Gomes Ferreira
Poeta o que é?
Um homem que leva
o facho da treva
no fundo da mina
- mas apenas vê
o que não ilumina.
II. Sophia de Mello Breyner Andresen
Escrita do poema
A mão traça no branco das paredes
A negrura da letra
Há um silêncio grave
A mesa brilha docemente o seu polido
De certa forma
Fico alheia
III. Sebastião da Gama
O Poeta
II
Tudo ganhou sentido num momento...
Água mansa com choupos reflectidos,
teu olhar descansava no do Poeta;
a poesia das coisas sem Poesia,
que no olhar do Poeta dormitava,
de súbito nas coisas acordava
- tão natural, tão íntima, tão própria,
como se fora delas que nascera...
Poeta o que é?
Um homem que leva
o facho da treva
no fundo da mina
- mas apenas vê
o que não ilumina.
II. Sophia de Mello Breyner Andresen
Escrita do poema
A mão traça no branco das paredes
A negrura da letra
Há um silêncio grave
A mesa brilha docemente o seu polido
De certa forma
Fico alheia
III. Sebastião da Gama
O Poeta
II
Tudo ganhou sentido num momento...
Água mansa com choupos reflectidos,
teu olhar descansava no do Poeta;
a poesia das coisas sem Poesia,
que no olhar do Poeta dormitava,
de súbito nas coisas acordava
- tão natural, tão íntima, tão própria,
como se fora delas que nascera...
dia mundial da poesia
Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da Poesia. Isso fica para os críticos e os professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia.
Aqui está, olha. Tenho o fogo em minhas mãos.
Federico Garcia Lorca
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