Fez no príncipio deste mês de Agosto um ano que peregrinei a pé até Santiago de Compostela. É mais uma daquelas ocasiões em que as palavras parecem não chegar, mas em que o impulso de partilhar, de reviver, de exprimir também não me deixa ficar calada.
Passo à frente da maneira como em geral se acha que ir a Compostela é muito espiritual e aventureiro, enquanto ir a Fátima é ser tacanho; a verdade é que ao início também me impeliu mais o simples desejo de partida que um apelo espiritual.Mas comecei a caminhar e acabei a peregrinar: caminhar assim, desta maneira especial, abre o coração de uma maneira rara: presta-se ao silêncio interior de onde pode nascer a oração e que dá espaço para que Ele entre e fale sem outras vozes a tapar, aquele tipo de silêncio e disponibilidade que se torna difícil quando há toda a vida mais quotidiana a puxar por nós.
Acho que é por isso que todos sentimos pelo menos uma vez, até os mais sedentários, desejo de viajar. Sair dos horizontes a que acostumámos os nossos olhos fá-los olhar não só para coisas novas como olhar de maneira diferente (mais isenta, objectiva??) para nós próprios e para o horizonte do qual nos afastámos.
Mas porque é que peregrinar é diferente?
Ando a ler um livro em que se critica a mania que temos de dizer que precisamos de "espaço", e de confinarmos a nossa realização a um qualquer espaço vazio que perseguimos constantemente e podemos encher como nós quisermos. Para já não falar de um espaço assim ser quase utopia, é desligado do resto da vida, absolutizado em detrimento da vida como um todo (acharmos que toda a nossa felicidade depende só da carreira, ou só de uma relação, qualquer coisa). Não passará a riqueza da peregrinação por constituir um espaço verdadeiro, sem pretensões de vir resolver tudo e mais alguma coisa? Espaço no verdadeiro sentido do termo porque não está cheio de toda a nossa tralha, é antes um receptáculo, um convite (mesmo que nem sempre seja um convite totalmente consciente) para que entre Ele.
Se o permitirmos, se quisermos caminhar com Cristo e para Cristo - qualquer que seja a devoção em particular que nos leva - peregrinar amadurece, purifica, fortalece a nossa Fé e a nossa vida. Faz de nós um pouco mais dignos de sermos "sacrários ambulantes". E ensina o gosto pelo Caminho como poucas coisas conseguem. :)
E um muito obrigado a todos (mas nesta data em especial aos que acompanhei a Santiago) os que comigo já partilharam caminho, o seu caminhar, e a Graça de crescer um pouco mais.
quarta-feira, agosto 11, 2004
quinta-feira, agosto 05, 2004
Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro pra sentir
E dar sentido à viagem
Pra sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz coragem
Volto a partir em paz
Capitão Romance - Ornatos Violeta
Preciso sempre de continuar. Parece-me pior crime a inércia e a apatia que a zanga e a revolta (esses podem dar lugar ao crescimento, a indiferença não.)
segunda-feira, julho 19, 2004
de repente
.. a cirandar na blogosfera, eis que encontro um post que me chama a atenção
e não é que Chagall trouxe novo significado de espelho?
ainda não tinha percebido o "espelho" em Fátima (aos poucos, devagarinho)
e com o "espelho" em S. Paulo
e, à mesma comunidade
e não é que Chagall trouxe novo significado de espelho?
ainda não tinha percebido o "espelho" em Fátima (aos poucos, devagarinho)
Por desígnio divino, veio do Céu a esta terra, à procura dos pequeninos privilegiados do Pai, «uma Mulher revestida com o Sol» (Ap 12, 1). Fala-lhes com voz e coração de mãe: convida-os a oferecerem-se como vítimas de reparação, oferecendo-Se Ela para os conduzir, seguros, até Deus. Foi então que das suas mãos maternas saiu uma luz que os penetrou intimamente, sentindo-se imersos em Deus como quando uma pessoa - explicam eles - se contempla num espelho.
(naquele dia de calor)
e com o "espelho" em S. Paulo
Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conheço de maneira imperfeita. Então, conhecerei exactamente, como também sou conhecido.
Agora subsistem estas três: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade 1 Cor 13, 12-13
e, à mesma comunidade
E a todos nós, com a cara descoberta, com a cara reflectindo a glória do Senhor, como um espelho, somos transformados de glória em glória, nessa mesma imagem, sempre mais resplandescente, pela acção do Espírito do Senhor 2 Cor 3, 18
domingo, julho 18, 2004
noite de cinema
em casa
sic mulher - Camille Claudel, filme documentário sobre escultora francesa (1854-1943)
camille claudel, la valse
rtp2 - Nha Fala
(cenário quase de início - igreja, o padre não está, quem dirige o coro?)
Vamos votar
(e apareciam os diferentes candidatos, cada um a publicitar uma característica)
Governar? uma questão de
- autoridade
- competência
- sedução
- coração
- vontade
- tradição
Bastará ser bom marinheiro para ser bom capitão?
_______
(o ex namorado contrabandista)
Vita
Abre a porta!
eu não sou o pior dos homens!
sic mulher - Camille Claudel, filme documentário sobre escultora francesa (1854-1943)
camille claudel, la valse
rtp2 - Nha Fala
(cenário quase de início - igreja, o padre não está, quem dirige o coro?)
Vamos votar
(e apareciam os diferentes candidatos, cada um a publicitar uma característica)
Governar? uma questão de
- autoridade
- competência
- sedução
- coração
- vontade
- tradição
Bastará ser bom marinheiro para ser bom capitão?
_______
(o ex namorado contrabandista)
Vita
Abre a porta!
eu não sou o pior dos homens!
sábado, julho 17, 2004
Gaudium et Spes
Cristo, o homem novo
22. Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. Adão, o primeiro homem, era efectivamente figura do futuro, isto é, de Cristo Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime.
22. Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. Adão, o primeiro homem, era efectivamente figura do futuro, isto é, de Cristo Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime.
retomar a Tabacaria
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
_______
benvindos à rua do mistério
ó fernando, estás a olhar pela janela?
que seja uma, muitas dividem a atenção
("a pedra não é a indicada para um sitio destes, o sal corroi-a"
aquela figura mordida de S. Pedro à entrada de uma igreja escura -a confusão que isso me faz
aquela curva e contracurva e curva e contracurva e.. "não enjoas?" não! cresci!
o problema dos carros, uma janela para múltiplos cenários à velocidade mais ou menos permitida)
fernando, esse auto desprezo magoado.. tem cuidado com o fígado, sim?
as janelas são problemáticas.
mas, se dividem a atenção, parece que vão ter à mesma rua, em diferentes perspectivas, com diferentes pontos de fuga
a rua do mistério é uma só e toda a gente passa por ela
mas achas essa rua inacessível ao pensamento?
se calhar falta abrires a porta..
se não o fizeres o real parece impossível
o certo ainda tão desconhecido
não tenhais medo...
o mistério está nas coisas, marca-as
CHAGALL, Marc. O violinista, 1912. In: BECKETT, Wendy.
História da Pintura. São Paulo, Ática, 1997. p. 345.
«Os traços de CHAGALL combinam suas fantasias às cores sensuais e às técnicas da arte avançada, mas o seu espírito não foge à eterna busca da felicidade esse “desejo que é comum aos seres humanos”(BECKETT).»
o mistério está nas coisas, marca-as
se apenas sustentasse as coisas, o mistério seria corrompido pela morte
se apenas fosse pisado por nós, isso do destino era fatal
mas (eu repito, insisto)
o mistério está nas coisas, marca-as
o mistério está também em quem passa pela rua
e a morte não corrompe quem o sabe
e o destino, também ele mistério, passa a ser vocação
com a vocação a fazer-nos andar, em unidade, até à plenitude
não tenhas medo..
abri, ou melhor, escancara a porta do teu coração
... ó fernando, vem para a rua!
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
_______
benvindos à rua do mistério
ó fernando, estás a olhar pela janela?
que seja uma, muitas dividem a atenção
("a pedra não é a indicada para um sitio destes, o sal corroi-a"
aquela figura mordida de S. Pedro à entrada de uma igreja escura -a confusão que isso me faz
aquela curva e contracurva e curva e contracurva e.. "não enjoas?" não! cresci!
o problema dos carros, uma janela para múltiplos cenários à velocidade mais ou menos permitida)
fernando, esse auto desprezo magoado.. tem cuidado com o fígado, sim?
as janelas são problemáticas.
mas, se dividem a atenção, parece que vão ter à mesma rua, em diferentes perspectivas, com diferentes pontos de fuga
a rua do mistério é uma só e toda a gente passa por ela
mas achas essa rua inacessível ao pensamento?
se calhar falta abrires a porta..
se não o fizeres o real parece impossível
o certo ainda tão desconhecido
não tenhais medo...
o mistério está nas coisas, marca-as
CHAGALL, Marc. O violinista, 1912. In: BECKETT, Wendy.
História da Pintura. São Paulo, Ática, 1997. p. 345.
«Os traços de CHAGALL combinam suas fantasias às cores sensuais e às técnicas da arte avançada, mas o seu espírito não foge à eterna busca da felicidade esse “desejo que é comum aos seres humanos”(BECKETT).»
o mistério está nas coisas, marca-as
se apenas sustentasse as coisas, o mistério seria corrompido pela morte
se apenas fosse pisado por nós, isso do destino era fatal
mas (eu repito, insisto)
o mistério está nas coisas, marca-as
o mistério está também em quem passa pela rua
e a morte não corrompe quem o sabe
e o destino, também ele mistério, passa a ser vocação
com a vocação a fazer-nos andar, em unidade, até à plenitude
Non abbiate paura! Aprite, anzi, spalancate le porte a Cristo!
não tenhas medo..
abri, ou melhor, escancara a porta do teu coração
... ó fernando, vem para a rua!
Subscrever:
Mensagens (Atom)