sábado, julho 17, 2004

Gaudium et Spes

Cristo, o homem novo

22. Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. Adão, o primeiro homem, era efectivamente figura do futuro, isto é, de Cristo Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime.





retomar a Tabacaria

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

_______

benvindos à rua do mistério

ó fernando, estás a olhar pela janela?

que seja uma, muitas dividem a atenção
("a pedra não é a indicada para um sitio destes, o sal corroi-a"
aquela figura mordida de S. Pedro à entrada de uma igreja escura -a confusão que isso me faz
aquela curva e contracurva e curva e contracurva e.. "não enjoas?" não! cresci!
o problema dos carros, uma janela para múltiplos cenários à velocidade mais ou menos permitida)

fernando, esse auto desprezo magoado.. tem cuidado com o fígado, sim?

as janelas são problemáticas.
mas, se dividem a atenção, parece que vão ter à mesma rua, em diferentes perspectivas, com diferentes pontos de fuga

a rua do mistério é uma só e toda a gente passa por ela

mas achas essa rua inacessível ao pensamento?
se calhar falta abrires a porta..
se não o fizeres o real parece impossível
o certo ainda tão desconhecido

não tenhais medo...

o mistério está nas coisas, marca-as




CHAGALL, Marc. O violinista, 1912. In: BECKETT, Wendy.
História da Pintura. São Paulo, Ática, 1997. p. 345.

«Os traços de CHAGALL combinam suas fantasias às cores sensuais e às técnicas da arte avançada, mas o seu espírito não foge à eterna busca da felicidade esse “desejo que é comum aos seres humanos”(BECKETT).»


o mistério está nas coisas, marca-as

se apenas sustentasse as coisas, o mistério seria corrompido pela morte
se apenas fosse pisado por nós, isso do destino era fatal

mas (eu repito, insisto)
o mistério está nas coisas, marca-as

o mistério está também em quem passa pela rua
e a morte não corrompe quem o sabe
e o destino, também ele mistério, passa a ser vocação
com a vocação a fazer-nos andar, em unidade, até à plenitude


Non abbiate paura! Aprite, anzi, spalancate le porte a Cristo!


não tenhas medo..
abri, ou melhor, escancara a porta do teu coração


... ó fernando, vem para a rua!









terça-feira, julho 13, 2004

Caetano Veloso

Férias, finalmente :)
E porque é tempo de pensar, de escrever, de pôr a leitura em dia (tempo de voltar às Palavras!) :

Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

segunda-feira, julho 12, 2004

férias - 1a parte

terça a sábado... apontamentos
Espera
Sophia Andresen

Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.


Eu Espero
Adriana Calcanhotto

Entre nós
O desejo
Entre nós
Nosso tempo
Não vá me deixar
Sem seu beijo
Se tudo o que há
Não é muito mais
Do que o momento
Quanto mais
Eu te quero
Mais sei esperar
Eu espero


Domingo
nazaré, alcobaça, batalha
terminar em beleza


agora.. de regresso.. mas não muito!

quinta-feira, julho 08, 2004

Adriana Calcanhotto

Será que a gente é louca ou lúcida
quando quer que tudo vire música?


(E é bom acabar um dia que não foi muito bom e mesmo assim ter vontade de concordar com isto):

de qualquer forma não me queixo.
o inesperado quer chegar:
eu deixo


quarta-feira, julho 07, 2004

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.


Nós e a nossa mania de usar dupla negativa como se de uma simples se tratasse! Pessoa e a sua mania de jogar com tudo! Dei por mim sem perceber o que custa: a nulidade, ou o não conseguir reduzir-se a ela -se não sou nada, então sou alguma coisa?



Por quanto tempo?

José Gomes Ferreira

Luar azul
que levanta do chão
as paisagens do mundo.
E sustém no ar
bosques de vento,
flores de frio,
pedras com asas,
caminhos de estrelas...
...e este sussuro dos bichos
pousados nas nuvens a cantar
o espanto do sol ser azul no luar...

Luar de insónia
esborrachado no chão
com um sapo a cantar no coração.


Tenho saudades da terra que me dá estas noites e que me prende lá o coração.
- E pela qual sempre volto a temer no Verão. Se,cá por baixo, até a Arrábida já arde...