terça-feira, julho 06, 2004

Exercício de Razão e Fé

Rito da Narração da Páscoa
Segundo Rito (com o segundo cálice)

Isso nos bastaria (Dayyénu)

Quantas coisas boas fez por nós o Senhor.
Se nos tirasse do Egipto e não os julgasse, isso nos bastaria.
Se os julgasse e não julgasse os seus deuses, isso nos bastaria.
Se julgasse os seus deuses e não matasse os seus primogénitos, isso nos bastaria.
Se matasse os seus primogénitos e não nos desse as suas riquezas, isso nos bastaria.
Se nos desse as suas riquezas e não dividisse o mar em nosso favor, isso nos bastaria.
Se dividisse o mar em nosso favor e não nos fizesse atravessar pelo meio, em terra enxuta, isso nos bastaria.
Se nos fizesse atravessar pelo meio, em terra enxuta e não submergisse no fundo das águas os que nos perseguiam, isso nos bastaria.
Se submergisse no fundo das águas os que nos perseguiam e não nos desse o necessário à nossa subsistência durante quarenta anos no deserto, isso nos bastaria.
Se nos desse o necessário à nossa subsistência durante quarenta anos no deserto e não nos fizesse comer o maná, isso nos bastaria.
Se nos fizesse comer o maná e não nos desse o sábado, isso nos bastaria.
Se nos desse o sábado e não nos fizesse chegar ao monte Sinai, isso nos bastaria.
Se nos fizesse chegar ao monte Sinai e não nos desse a Lei, isso nos bastaria.
Se nos desse a Lei e não nos reunisse na terra de Israel, isso nos bastaria.
Se nos reunisse na terra de Israel e não fizesse de nós casa da eleição, isso nos bastaria.

in Textos Eucológicos Hebraicos. Antologia Litúrgica, SNL 2004

Campos A. Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,


estas primeiras palavras de Campos, na sua tabacaria (defronte à loja de fumo) deixam-me num estado insuportável de "rasgo".
quando as li pela primeira vez, no 12º devorei-as, "que giro!" mas, numa altura de profunda lucidez (quase de profecia) chorei com elas.
acho q foi isso.. desisti com elas, ainda não tinha começado.

Campos era um doido.. ainda bem!
sempre me irritou a calmia do ricardo reis, a falta de impressão de carácter com que ele vivia ao de leve, para não estragar, não vale a pena a sua vida.
e o absurdo de alberto caeiro, não pensemos, não pensemos, não pensemos.. (não crer, não crer, não crer..) e acabar sempre por fazê-lo!
pessoa? um homem vulgar, farto de ser vulgar, divididamente farto de ser vulgar.. divide-se, quebra-se, rasga-se, busca a unidade na divisão. exercício intelectual pacificante (?)

mas campos? ah! um doido, uma má influência (não gosto dele fernandinho - diz a doce ofélia), o escape da loucura de querer a vida e esta escapar-lhe entre as mãos.

começa bem.
não sou nada, nunca serei nada,
não posso querer ser nada!


divisão.. se por um lado se percebe "um nada", por outro irrita-se: não pode querer continuar assim! (outra leitura seria achar que ele não podia querer ser qualquer coisa.. não vou por aí, não quero!)

e depois um tom irónicamente ácido, com um sorriso sarcástico de quem às vezes não se leva muito a sério
à parte isso (que não é assim tão tão importante) tenho em mim todos os sonhos do mundo.

arghhhh. passar do sonho à realidade! que drama álvaro, que drama pessoa! um notário ou contabilista ou qq profissão dessas burocráticas, de função pública e depois o desespero de voltar a casa e teres esses sonhos de genialidade a corroerem-te. vai homem!

janelas do meu quarto (espreita por elas, sem bucolismos, sem essa saudade do que poderias ser, vai.. sai de casa!)

bem.. q espanto!

acabei de ouvir

não podemos viver no mundo sem ter uma teoria sobre o mundo


o mundo só gira para a frente. seremos cidadãos


ah! é um bálsamo ver como é bom agarrar a vida à dentada

IHS!

desafio começa...

depois de uma discussão num blog do timshel , ficou-me um sabor amargo de tristeza..
nada melhor que começar o desafio que propus à minha colega bloguista

segunda-feira, julho 05, 2004

sábado, julho 03, 2004

Sophia de Mello Breyner Andresen.
Sophia


sexta-feira, julho 02, 2004

Caminho

A metafísica é uma consequência de estar mal disposto


Não gosto das vezes em que deixo que isto seja verdade.
Há dias em que qualquer tipo de transcendência não parece diferir em nada da irritação, melancolia ou cansaço: consequências de andar à luta com a vida, e não busca, sede que me permite caminhar.

Oxalá não esqueça nunca essa sede, nem eu sei bem de quê, sede que não deixa muitos momentos de paz mas que por outro lado é o que nos move e nos faz viver.

(O que vale é que por mais que me queixe de não ter sequer um bocadinho de paz, sou sempre incrivelmente rápida a queixar-me quando sinto as coisas demasiado paradas. - Quem corre por gosto...)