a Lua vai meia a crescer?
a crescer...
e crescer dói
crescer rasga
perdemos ilusões
ficamos estáticos?
... que eu não cresça, que eu não cresça, que eu não cresça NUNCA!
ou então que cresça de vez!
nunca no meio do incerto
do Verbo Encarnado se esclarece o mistério do homem
e crescer dói
levar o absurdo ao extremo
andar sobre uma aresta de gelo
na vertigem de um trapézio de fogo
“Cristo ensinou-nos (a parábola do bom samaritano), que o Amor ao próximo sobrenatural é a troca da compaixão e da gratidão, que acontece como um relâmpago entre dois seres, dos quais um é revestido daquilo que o constitui como ser humano e o outro é privado disso. Um dos dois é só um pouco de carne nua, sangrento e sem vida na berma da rua, um sem-nome, de quem ninguém nada sabe. Os que passam por aquilo, mal reparam nele e esqueram momentos depois, que nele tinham reparado de todo. Um único pára e dedica-lhe a sua atenção. O que se segue àquilo em actos, só é a reacção automática deste momento de atenção. Esta atenção é criativa.
Porque o amor ao próximo se baseia na atenção criativa, ele parece-se com a genialidade. A atenção criativa consiste nisto, que se está mesmo atento àquilo que não existe. A humanidade não existe neste pedaço de carne sem vida na berma da estrada. O samaritano, que mesmo assim pára e olha, dirige mesmo assim a sua atenção àquela humanidade ausente, e os consequentes actos são prova de que se trata de atenção verdadeira.
A Fé, diz Paulo, é a visão daquilo que não vemos. Neste momento da atenção a Fé está tão presente como o Amor.
O Amor vê o invisível.”